Nº de Série: 42-26760
Subtipo: P-47D-25-RE
Aceito pela USAAF em: 09/05/1944
Enviado ao MTO em: 02/06/1944
Recebido pelo 1ºGAvCa em: 28/10/1944
Código de Esquadrilha: B2
Status ao final da Campanha: Em poder do 1º GAvCa
FAB: 4109
Descarregado em: -
Destino: Preservado no Museu TAM (Sâo Carlos, SP)

Histórico:

O Republic P-47D Thunderbolt n° 42-26760 (FAB 4109) foi o 372º P-47D-25-RE de um total de 380 produzidos em Farmingdale, encomendados pelo USAAF sob o contrato nº W535- AC-29279-6. Foi recebido pela USAAF em 09/05/44 e despachado para o Teatro de Operações do Mediterrâneo em 02/06/44. Fez parte do primeiro lote de aeronaves entregues ao 1° GAvCa em 28/10/44, ainda em Tarquínia, muito provavelmente tendo servido na Esquadrilha Amarela com o código "B2", do então Capitão-Aviador Roberto Pessoa Ramos. Acidentou-se na pista de Tarquínia em 21/11/44 (Ten.Av. Leon R. Lara de Araújo). Em agosto de 1945 foi enviado via marítima ao Brasil, no USS W.S. Jennings.

Até o momento, este autor desconhece fotos do 42-26760 nos tempos da guerra onde apareçam claramente, e na mesma foto, o código de esquadrliha "B2" no nariz e o número de série 42-26760 na cauda. Entretanto essa hipótese apresenta-se como altamente provável pois existe uma foto do 42-26760 em manutenção onde é possível ver o número de cauda e, ainda que esteja com o motor a descoberto, é possívlel ver claramente que a parte da letra pintada sobre os cowl-flaps pertence a um "B". Mas qual dos "B"? Olhando-se a lista de aeronaves da Esquadrilha Amarela que foram trazidas ao Brasil depois da guerra, tem-se os seguintes números de série, todos fotograficamente comprovados:

- 42-26771 / FAB 4111 - B1
- 44-33093 / FAB 4127 - B3
- 44-20800 / FAB 4122 - B4
- 42-29265 / FAB 4117 - B5
- 42-28986 / FAB 4116 - B6

Ou seja, o 42-26760 (comprovadamente um avião da esquadrilha amarela) seria o único "B" faltante, o B2 do então Capitão Roberto Pessoa Ramos, avião este que no pós-guerra serviu à FAB como FAB 4109. 

Uma foto que causa controvérsia é aquela na qual aparece a cauda do 42-26760 e sobre ela, escrito em letras brancas, a menção de que trata-se do D3. Entretanto o Brigadeiro Luiz Felipe Perdigão, piloto do D3, diz em seu livro "Missão de Guerra" que houve três P-47 com o código de esquadrilha D3, a saber:
1) 42-26774, que foi perdido em 17/02/45, num acidente de decolagem com o Ten. João Milton Prates.
2) 44-20339, que foi perdido em combate em 13/04/45, falecendo o Asp.Av. Frederico Gustavo dos Santos
3) 44-20345, que sobreviveu à guerra e serviu à FAB como FAB 4121.
Obs: O Brigadeiro Perdigão não cita os números de série, mas estes são identificáveis através da documentação e literatura existentes.

Além disso, o texto sobre a mencionada foto está "invertido" como se, por exemplo, tivesse sido escrito sobre outra foto e com a tinta ainda fresca uma foto tivesse "encostado" na outra, a tinta da primeira ficando marcada na segunda. Corrobora essa hipótese o fato de haver uma outra foto do 44-20345 (este sim o D3) com exatamente o mesmo texto:

1º Grupo Av Caça - Itália - 24-4-45
Av D3 - Atingido por straffing e explosão de um trem com munições entre Verona e Pescheira
Pto Ten. Menezes

Logicamente que não seria possível que, na mesma data, 24 de abril de 1945, tivéssemos dois P-47, o 44-20345 e o 42-26760, carregando o código D3 e ambos atingidos em combate com a mesma descrição dos danos.

Já no Brasil, o 42-26760 foi: 
- Distribuído ao 2° GAvCa em 07/01/46.
- Recolhido ao PqAerAf em 05/05/48 para reparos e posterior estocagem.
- Distribuído ao 2°/9° GAvCa na BASC em 09/08/51
- Recolhido ao PqAerSP para estocagem em 21/01/54.
- Distribuído ao 1°/4° GAv na BAFZ em 08/08/57
- Recolhido novamente ao PqAerSP em 14/11/58.
- Transferido à Classe O-1Z (instrução no solo) em 14/10;1960 e distribuído à EOEIG.

Em 30/12/68 o 42-26760 foi cedido à Fundação Santos Dumont para fins de exposição estática no Museu de Aeronáutica, à época localizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A aeronave foi entregue com a pintura no estado em que se encontrava no PAMA-SP, ou seja, em péssimo estado e com a cobertura do motor ainda no primer. Sobre esta pintura deteriorada o veterano Atílio Boccheti pintou duas bolachas do Senta a Pua, uma de cada lado da aeronave, porém sobre o cowling do motor, local diferente do qual a bolacha era regularmente pintada. Tempos depois, voluntários do GPPSD (Grupo de Plastimodelismo e Pesquisa Santos Dumont), cuja sede ficava no subsolo do museu, restauraram a pintura da aeronave de modo a representar o P-47D-25-RE n° 42-26450 "1", que pertenceu ao então Cel. Av. Nero Moura, oficial comandante do 1° GAvCa. Ainda que cientes do local errado das bolachas do Senta a Pua (e, consequentemente, do "1" indicativo da aeronave do Comandante do Grupo) , estas foram mantida pelo valor de terem sido pintadas por um veterano, ficando a aeronave com marcações parcialmente incorretas.

Já passando por dificuldades financeiras, o Museu foi tranferido para o CEMUCAM em 2000, no que deveria ter sido uma mudança temporária, de modo a ceder suas instalações à Exposilção Brasil 500 anos, com a promessa de que após a exposição o espaço seria devolvido, devidamente reformado. O que era para ser temporário acabou virando permanente, por motivos alheios à vontade do Museu, e o espaço jamais foi devolvido Além disso, a mudança para o CEMUCAM foi motivo de críticas da imprensa especializada com relação à maneira como as aeronaves foram desmontadas e transportadas, bem como questionamentos sobre a qualificação do pessoal envolvido. Logo após a mudança, jornalistas conseguiram fotos nas quais se viam partes do P-47 expostas a céu aberto, algumas apoiadas sobre caixotes e sem a devida proteção, sendo que foram logo em seguida movidas para um recinto fechado. Seu estado de conservação podia ser considerado "preocupante" necessitando quantidade razoável de reparos e certamente uma nova pintura que fosse historicamente mais fiel ao avião o qual o museu procurava retratar. Partes da aeronave foram, também, utilizadas no projeto "Heróica Uno", a restauração para condição de vôo do P-47D 45-49151 do MUSAL.

Em dezembro de 2001 o Museu de Aeronáutica chegou a reabrir, ainda que por pouco tempo, com parte de seu acervo exposto na Base Aérea de Cumbica (Guarulhos). O P-47, entretanto, continuou aguardando restauração na reserva técnica, no CEMUCAM, restauração essa que nunca ocorreu.

Em fevereiro de 2005, depois de muita pressão sobre a Fundação Santos Dumont e de uma participação decisiva nas negociações por parte do Cel.Av. R/R Ajax Augusto Mendes Correa e do vetererano do 1ºGAvCa, o Cdte. Fernando Correa Rocha, a aeronave foi cedida pela Fundação Santos Dumont ao Museu da TAM, que a restaurou com as cores e marcas do P-47 "B5" do Comandante Rocha, numa justa homenagem que lhe foi feita ainda em vida.

A aeronave foi oficialmente apresentada em dezembro de 2005 e encontra-se atualmente no Museu TAM (antes conhecido como "Museu Asas de um Sonho") que,  infelizmente, fechou à visitação pública em 2016. Após o fechamento, o museu reduziu sua equipe de funcionários mas ainda mantém uma pequena equipe que cuida da manutenção das aeronaves nele preservadas, entre elas o P-47, que continua em ótimo estado.

Museu TAM
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