Em 4 de dezembro de 1944 o 1° GAvCa começou a operar a partir do Aeródromo de San Giusto, em Pisa. A mudança de base ocorreu durante os dias 2, 3 e 4 de dezembro, mas em nenhum instante as operações de guerra foram interrompidas. Os oficiais do 350th FG, tanto americanos como brasileiros, passaram a hospedar-se no Hotel Nettuno, às margens do Rio Arno, em Pisa, ao invés das acomodações em barracas como em Tarquínia. O hotel tinha sido parcialmente danificado durante bombardeio, mas ainda assim era melhor do que as instalações anteriores. O escalão de terra ficou hospedado em prédio que fora uma antiga clínica e que ficava do outro lado do rio.

A partir de Pisa os Thunderbolts do 1º GAvCa continuaram sendo empregados como caçasbombardeiros e seguindo o Plano de Interdição elaborado pelo XXII Comando Aéreo Tático, com o duplo objetivo de impedir o fluxo de suprimentos para a linha de frente alemã e barrar os refluxos das tropas inimigas quando o avanço dos V e VIII Exércitos as pressionassem contra os bloqueios.

Após os bombardeios, os pilotos tinham ordens de regressar voando baixo (no "deck"), procurando e metralhando alvos de oportunidade, como veículos em estradas, locomotivas, aviões no solo, etc... A falta de recompletamento fazia com que os pilotos do 1º GAvCa cumprissem uma média de número de missões muito acima de seus pares americanos. Se por um lado isso gerava o consequente cansaço físico e mental (com alguns pilotos inclusive sendo afastados do vôo por esses motivos), por outro dava-lhes uma experiência em combate muito acima dos americanos, que cumpriam 35 missões, em média, e retornavam para os Estados Unidos. Os poucos oficiais aviadores que chegaram a Pisa como recompletamento foram os seguintes:

Nome Data de chegada
Asp. Av. Diomar Menezes 25/12/1944
Asp. Av. Roberto Tormim Costa 25/12/1944
Asp. Av. Raimundo da Costa Canário 04/01/1945
Asp. Av. Frederico Gustavo dos Santos 04/01/1945
Asp. Av. Jorge Maia Poucinhas 05/04/1945
Asp. Av. Fernando de Barros Morgado 05/04/1945

Essa experiência fez com que os Jambocks tivessem posição de destaque na identificação de alvos, percepção na mudança de comportamento do inimigo e nas missões de reconhecimento armado (principalmente durante a Ofensiva da Primavera). Um exemplo clássico da habilidade desenvolvida pelos Jambocks foi o caso ocorrido com a Esquadrilha Azul, liderada pelo Ten. Av. Horácio Monteiro Machado, durante missão de reconhecimento armado. Foi avistada uma formação de tanques e sua posição transmitida para o Centro de Controle Aerotático, informando-o também que se tratavam de tanques aliados. Sem informações sobre penetração de coluna aliada em posição tão profunda no território inimigo, o Controle, em nome da XIIª Força Aérea, emitiu ordens sucessivas para que a Esquadrilha da FAB atacasse a formação de blindados, ordens essas recusadas pelo Ten. Av. Horácio, que assumiu total responsabilidade por seu não cumprimento. Após longa e acirrada discussão via rádio, com o Centro de Controle insistindo para que a formação fosse atacada, a "Blue" retornou à base sem efetuar o ataque. Confirmou-se, então, que os tanques eram realmente tanques americanos M-4 Sherman, pertencentes à 1st Armored Division. No dia seguinte, o jornal aliado "Star and Stripes" publicava a seguinte manchete:

"Os pilotos do 1º Grupo de Caça Brasileiro foram os primeiros a assinalar o avanço aliado no Vale do Pó"

Houve diversos outros casos, como a descoberta, através da análise de fotos de combate, de que a Wehrmacht utilizava-se de vagões e veículos com o emblema da Cruz Vermelha para transportar soldados em condições de combate. Além de contribuições como as mencionadas acima, o 1º GAvCa também destacava-se pela quantidade de missões de combate executadas, pelo número de alvos atingidos e pelo alto grau de disponibilidade de seu equipamento, demonstrando a habilidade de seus pilotos e extrema competência do pessoal terrestre.

Em fevereiro de 1945 já se vislumbrava a superioridade aliada e a eminente queda do Terceiro Reich. Lideranças alemãs tentaram as primeiras negociações para a rendição, negociações essas que foram, infelizmente, infrutíferas. Em março iniciou-se o planejamento para a investida final, que enfatizava o propósito de empregar os meios aéreos em um esforço máximo, em apoio maciço à Ofensiva da Primavera, a fim de assegurar seu pleno êxito. A participação do 1º Grupo de Caça nesses eventos teve seu auge no dia 22 de abril de 1945.

Merece destaque um trecho do relatório do Oficial Comandante do 350th FG, relativo à ação do 1° GAvCa durante o último mês de guerra:

"Durante o período de 06 a 29 de abril de 1945, o Grupo de Caça Brasileiro voou 5% das saídas executadas pelo XXII Comando Aéreo Tático e, no entanto, foram oficialmente atribuídos aos brasileiros 15% dos veículos destruídos, 28% das pontes destruídas, 36% dos depósitos de combustível danificados e 85% dos depósitos de munição danificados."

As glórias do 1º GAvCa, entretanto, tiveram um alto preço. Após o deslocamento para Pisa, mais quatro pilotos perderam a vida em combate, cinco foram feitos prisioneiros e três foram abatidos mas esconderam-se entre os partisanos. Cinco foram evacuados de Pisa para o Brasil por esgotamento físico e outros dois por outros problemas de saúde. Mantinha-se assim a enervante média de três pilotos afastados por mês.

O provável fim de guerra que se aproximava também aumentava a ansiedade e o estresse entre os membros do Grupo, principalmente entre os pilotos. Ninguém queria ser morto em combate a poucos dias do final do conflito. Para o Ten. Av. Luiz Lopes Dornelles, infelizmente, esse medo tornou-se realidade. O Ten. Av. Dornelles foi o último piloto morto em combate, no dia 26 de abril de 1945, durante ataque a uma locomotiva na estação ferroviária de Alessandria. Ironicamente, duas horas após sua morte a cidade de Alessandria foi tomada pela Força Expedicionária Brasileira. A guerra na Itália terminou em 2 de maio de 1945, exatamente uma semana após a morte do Ten. Av. Dornelles.

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