Três episódios distintos constituíram-se nos preâmbulos da campanha pela criação do "Ministério do Ar", em separado ao Ministério da Guerra: a criação da Royal Air Force - RAF, na Inglaterra, em 1918, a da Reggia Aeronáutica, na Itália, em 1923 e da Armée de l'Air, na França, em 1928. Porém, os debates entre os militares brasileiros começaram a tomar vulto apenas em 1935, ano a partir do qual a campanha pelo "Ministério do Ar" ganharia força e densidade, com oficiais mais antigos e entusiasmados realizando e promovendo conferências e propaganda. Destacam-se nesse período o lançamento de uma "Campanha pela criação do Ministério da Aeronáutica", liderada pelos Tenentes Coronéis Ivo Borges e Armando de Souza Aragibóia, Capitães de Corveta Amarílio Vieira Cortez, Luiz Leal Netto dos Reys e Alváro Araújo e pelo Capitão Antônio Alves Cabral.

"A Aeronáutica no Brasil não poderá organizar-se, progredir, engrandecer-se, se não tiver uma cabeça, um comando único. Não pode haver nesse, como em todo outro setor das atividades nacionais, onde deve imperar o amor por esta grandiosa terra, a política a retalhos"

Cap. Ten. Av. Virginius Brito de Lamare
em conferência proferida no ano de 1936.

Era a época em que espalhavam as idéias de Giulio Douhet, William "Billy" Mitchell e Alexander P. de Seversky sobre a importância do poder aéreo e a necessidade de uma aviação forte e independente das demais armas. Apregoava-se também idéias sobre a necessidade da unificação das aviações naval, militar e comercial sob o comando de um único ministério, sem o qual a aeronáutica no Brasil não poderia organizar-se e progredir.

Mesmo em seus países de origem, essas idéias sofreram forte oposição inicial. No Brasil não foi diferente. O ataque japonês a Pearl Harbor, na manhã de 7 de dezembro de 1941, quando 13 navios americanos foram afundados e mais de 200 aviões destruídos por um ataque aéreo surpresa lançado a partir de quatro porta-aviões japoneses, provou o quão corretas as idéias de Billy Mitchell estavam.

Se a década de 30 foi rica em idéias e debates, a de 40 veria a concretização dessas idéias. Se na Primeira Guerra Mundial a aeronáutica aparecia como força auxiliar do exército, a Segunda Guerra Mundial mostrou a aeronáutica como força independente, com o mesmo grau de importância que as forças navais e terrestres. No Brasil, esta evolução foi acompanhada cuidadosamente, tomando como exemplo o resultado obtido por Inglaterra, França e Itália com a criação de Forças Aéreas independentes.

As discussões prolongaram-se até 1940, ano em que houve um série de conferências no Clube Militar, reuniões do pessoal da Marinha e do Exército e o surgimento de diversos projetos de criação consideração a "rivalidade" entre a Aviação Militar do Exército e a Aviação Naval e o fato de que também estaria englobada a aviação comercial, habilmente optou pela escolha de um civil para o cargo de Ministro da Aeronáutica, o Dr. Joaquim Pedro Salgado Filho, cujo grande desafio seria a integração dos homens, mentalidades, doutrinas e equipamentos originários da Marinha e do Exército.

O gabinete do Ministério da Aeronáutica ficou assim constituído:

Ministro da Aeronáutica

  • Dr. Joaquim Pedro Salgado Filho

Chefe de Gabinete

  • Tenente Coronel Dulcídio do Espírito Santo Cardoso

Assistentes Militares

  • Capitão Aviador Nero Moura
  • 1° Tenente Aviador Naval Dionísio de Cerqueira Taunay

Ajudantes de ordens

  • 1° Tenente Aviador Ewerton Trisch
  • 1° Tenente Aviador Naval Oswaldo Pamplona Pinto

Oficial de Gabinete

  • Diplomata Manuel Pio de Correia Jr.

Gabinete Técnico

  • Tenente Coronel Vasco Alves Secco
  • Capitão de Fragata Luís Leal Netto dos Reis
  • Capitão de Corveta Ismar Pfaltzgraaf Brasil
  • Major Nelson Freire Lavenère Wanderley
  • Major José Vicente Faria Lima
  • Capitão Tenente Hélio Costa
  • Engenheiro Civil Jorge Muniz
  • Engenheiro Civil César da Silveira Grillo

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