Enquanto corria o treinamento dos homens-chave na Flórida, os demais homens que integrariam o 1° GpAvCa foram enviados, em grupos, para Albrook Army Air Field, no Panamá, por via aérea, em aviões bimotores Curtiss C-46 Commando, Douglas C-47 Skytrain e os quadrimotores Douglas C-54 Skymaster da USAAF. Em número de vinte, os grupos começaram a ser enviados em 10 de fevereiro de 1944 em intervalos regulares que duraram até maio. Uma vez desembarcados em Albrook, cada membro do 1º GAVCa era enviado para o campo onde era realizado o treinamento de sua respectiva especialidade, treinamento que durou aproximadamente três semanas.

Localização do atual Aeroporto Marcos A. Gelabert, local onde ficava Albrook Field

Concluída a instrução na Flórida, em 18 de março o pessoal-chave chegou ao Panamá e, pela primeira vez, a maior parte do efetivo final do 1° GpAvCa encontrou-se reunido em um só local. No dia 5 de abril o Grupo deixou Albrook Field em um comboio de caminhões, deslocando-se para a Base Aérea de Aguadulce, próxima à Vila de Aguadulce, cujo nome derivava de um pequeno riacho que corria perto, situada a aproximadamente 190 km da capital.

Aguadulce era um local inóspito, seco e onde a água era escassa. A pouca água potável que havia tinha um aspecto esbranquiçado devido à alta concentração de cloro que nela era colocado. Os alojamento eram barracas construídas em madeira e que ficavam suspensas a aproximadamente 1,5 metros do solo, com janelas devidamente protegidas por telas contra insetos, já que o medo de contrair doenças transmissíveis por insetos, como a Malária, era grande. O calor também era forte. Já no dia 19 de abril começava, junto ao 30th Fighter Squadron, unidade de instrução da USAAF, o treinamento do 1° GpAvCa como uma Unidade Tática, incoporando todas as lições aprendidas por unidades aliadas nos Teatros de Operações de guerra. Os pilotos chegados do Brasil foram submetidos a um programa de cerca de 110 horas de treinamento de vôo em caças RP-40B/C e P-40E/N, já sob o comando dos líderes de esquadrilha brasileiros, incluindo tiro terrestre, bombadeio picado e os vôos em formação com uma a quatro esquadrilhas com quatro aeronaves cada. No treinamento de vôo noturno e por instrumentos foram utilizadas aeronaves North American T-6D e North American BC-1. Da mesma forma, o pessoal de terra era treinado nos procedimentos administrativos e operacionais nos padrões da Força Aérea Americana, desde funções na logística de pessoal (pagamento, alimentação, uniformes, etc.) quanto na de material (manutenção de aeronave, suprimentos, comunicações, etc.). As simulações das missões incluíam não apenas a parte do "vôo", mas também todo o procedimento de checagem e remuniciamento da aeronave feito pelo pessoal de terra.

"O Chefe de Instrução de Vôo foi o Coronel da USAAF Gabriel P. Disosway, que exerceu papel de destaque nesta fase do treinamento do Grupo. "Texano duro! Nada lhe passava despercebido. Exigente ao máximo, transformou um grupo de pilotos brasileiros, sem a mínima doutrina de unidade aérea, em um dos melhores esquadrões de combate que passaram pela escola de caça da Zona do Canal."

Brig. Rui Moreira Lima, no livro "Senta a Pua".

Disosway mostrou não apenas competência técnica como instrutor, mas também competência pessoal na maneira como lidava com os homens do Grupo, ganhando o respeito e a amizade de todos.

Também foi no Panamá que ocorreu a distribuição dos pilotos nas quatro esquadrilhas, lideradas pelos Capitães Lafayette Cantarino Rodrigues de Souza (Vermelha), Joel Miranda (Amarela), Fortunato Câmara de Oliveira (Azul) e Newton Lagares da Silva (Verde).

O 1° GpAvCa recebeu, em 11 de maio de 1944, a atribuição de participar do esquema de defesa do Canal do Panamá, juntando-se aos outros esquadrões americanos. Por sua importância estratégica, temia-se um ataque lançado por forças japonesas a essa área. Nenhum vôo que passasse por sobre a Zona do Canal do Panamá o fazia sem que fosse interceptado e escoltado por caças aliados. A ordem era a de abater qualquer avião que não se identificasse. Esse fato passou a ser um marco na história do 1° GpAvCa, pois foi aí que este passou a operar como uma unidade independente, acumulando mais de 100 saídas de interceptação e mantendo suas esquadrilhas diariamente em alerta no solo. Já não eram apenas missões de treinamento, mas missões reais de guerra e caso o temido ataque japonês tivesse se consumado o 1° GpAvCa certamente teria sido envolvido no combate.

Outro fato de destaque ocorrido no mesmo dia foi a incorporação da Bandeira Nacional, recebida um mês antes pelo Cap. Av. Francisco Dutra Sabrosa e pelo 1° Ten. Av. Horácio Monteiro Machado das mãos de D. Berthe Grandmasson Salgado, esposa do Ministro da Aéronáutica, no Campo dos Afonsos.

Uma semana mais tarde o Grupo sofreu sua primeira baixa. Durante vôo de instrução o RP-40C do 2° Ten. Av. Dante Isidoro Gastaldoni entrou inexplicavelmente em vôo picado, não conseguindo recuperar-se. Gastaldoni ainda conseguiu deixar a aeronave mas, sem altitude suficiente para abrir o pára-quedas, morreu no choque contra o solo. Seu corpo foi encontrado entre as cidades de São Tiago e São Francisco, sendo sepultado no Cemitério de Corozal e, mais tarde, foi levado para Porto Alegre, sua cidade Natal, onde foi sepultado no jazigo de sua família.

O encerramento das atividades do Grupo em Aguadulce ocorreu, formalmente, em 20 de junho de 1944, numa cerimônia militar simples, mas contando com a presença do Ministro da Aeronáutica Salgado Filho e dos comandantes da 6th Air Force e do 26th Fighter Command.

No dia 22 de junho um comboio de caminhões com o pessoal do 1° GpAvCa seguiu para Albrook Field, lá chegando às 12 horas. Precisamente às 12:10 de 27 de junho de 1944, o 1° GpAvCa deixava o Panamá, em navio transporte norte-americano, com destino a Nova York.

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