A Seção de Armamentos era a seção responsável pela manutenção dos sistemas de armas dos P-47D e pelo municiamento dos mesmos, o que incluía funções que iam desde a montagem da fitas de munição das metralhadoras até o transporte de bombas e munição a partir do depósito em Livorno para as bases de Tarquínia e, posteriormente, Pisa. O municiamento era feito de acordo com as ordens do Oficial de Operações, que especificava o armamento adequado para as missões seguintes.

Para comandar a Seção de Armamentos, o Coronel Nero Moura nomeou inicialmente o 1º Ten. Av. Newton Neiva de Figueiredo e o Aspirante Jorge da Silva Prado. Neiva, entretanto, foi logo nomeado subcomandante da Esquadrilha Azul, ficando com o Asp. Prado a tarefa de comandar a Seção de Armamentos. Em Orlando, Prado liderou o grupo auxiliado pelo Suboficial João Pereira Leite, pelo 1º Sgt. João Ribeiro Casas Costa e pelo 1º Sgt. Francisco de Assis Barreto. Desse grupo, Prado era o mais jovem, com cerca de 20 anos de idade. Após o treinamento no Panamá, o Suboficial Pereira Leite e o Sgt. Casas Costa não seguiram para a Itália, voltando ao Brasil quando do embarque do Grupo para Suffolk.

Podia-se dividir a seção de armamentos em dois blocos: o pessoal que trabalhava na pista, armando as aeronaves e fazendo as verificações de rotina quando da chegada destas, e o pessoal que trabalhava nos barracões, montando fitas de metralhadoras, transportando munição e fazendo as demais manutenções que não podiam ser efetuadas na pista.

Como as missões começavam com o clarear do dia, o dia da seção de armamentos começava por volta das 5:00 da manhã. Os cabos e sargentos da seção dirigiam-se para a pista de modo a executar o "proof of fire", que era a "prova de fogo", ou seja, as metralhadoras (desarmadas) eram desengatadas e testadas, bem como os cabides de bombas. Para facilitar a identificação, as metralhadoras Browning M2 eram numeradas de 1 a 8, sempre a partir da mais externa da asa esquerda. Os Thunderbolts eram, então, armados e partiam em missâo. Como as missões duravam, em média, duas horas, após a partida dos caças os cabos e sargentos de armamentos somente então tinham tempo para ir até Pisa tomar o café da manhã e voltar à pista, aguardando e torcendo pela volta dos pilotos.

A checagem dos sistemas de armas dos Thunderbolts ocorria asssim que estes retornavam de suas missões, ficando as aeronaves imediatamente prontas para novas missões, a menos que um problema mais grave fosse identificado. Problemas nas armas relatados pelos pilotos eram imediatamente verificados, enquanto o piloto dirigia-se à Seção de Operações fazer o relatório da missão.

As bombas eram trazidas de Livorno numa carreta puxada por caminhão, com cerca de 30 a 40 bombas (num total de 7,5 a 10 toneladas) transportadas por vez. Uma vez na base, eram descarregadas e colocadas em cavaletes, com a ajuda de um pequeno guindaste próprio, de onde eram transportadas para a pista e carregadas nas aeronaves. Já a munição calibre .50 ficava armazenada em caixotes de madeira, colocadas em local afastado da pista, porém a céu aberto. Para garantir a vedação contra a água, a munição já era entregue em caixas de papelão enceradas que, por sua vez, eram colocadas dentro de latas que eram colocadas dentro dos caixotes de madeira.

Nas barracas de remuniciamento, as caixas de munição .50 eram abertas e as fitas que municiavam as metralhadoras eram montadas. Os cartuchos de munição tinham suas pontas pintadas de acordo com seu tipo e eram montados nas fitas seguindo a seguinte ordem, um cartucho por vez: comum, traçante, perfurante e incendiária. Era comum os pilotos solicitarem um aumento na quantidade de munição incendiária e traçante, visando maior precisão e dano nos ataques, mas este procedimento era proibido por superaquecer a alma (parte interna) dos canos das metralhadoras, causando perda de precisão de tiro.

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