Como Capelão do 1° GAvCa foi enviado à Itália o Major Capelão Paschoal Gomes Librellotto, o mais antigo dentre os capelães da Força Expedicionária Brasileira. Antes da guerra, ainda no Brasil, Monsenhor Librelotto atuava na Diocese de Santa Maria, RS. A Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, situada à beira da estrada que serpenteia a cordilheira de São Martinho, ligando Vale Vêneto a Silveira Martins, a 1 Km, do povoado de Vale Vêneto, foi inaugurada por ele em 1942. A gruta era fruto de uma promessa de Pe. Pedro Luiz Bottari, por ocasião da grande enchente de 1941, temendo que o morro, em cujos pés se encontra o Colégio N. Sra. De Lourdes, desmoronasse.

Os demais capelães que atuavam junto às forças de terra eram subordinados a ele pela hierarquia da Igreja, apesar de militarmente serem subordinados ao Comandante da Divisão Expedicionária, Gen. Mascarenhas de Moraes. Com essa situação, era comum o 1° GAvCa ser regularmente visitado pelos tenetes e capitães-capelães do exército.

Librellotto tornou-se figura popular entre os membros do 1° GAvCa, os quais, em tom de brincadeira, volta e meia pediam-lhe uma de suas "ovelhinhas de Pisa", referindo-se às garotas da cidade. Sobre o Maj. Librelloto, escreve o Brig. Rui Moreira Lima no livro "Senta a Pua":

"Librellotto não teve muita sorte com suas ovelhas. O pessoal do Grupo não era misseiro. (...) Contavam-se nos dedos os que compareciam às missas religiosas de Monsenhor Paschoal Librellotto. Lembro-me que entre os oficiais havia um habitué. Era o Marcos Eduardo Coelho de Magalhães que, entre uma missa e outra, para salvar a alma, tascava os alemães do outro lado... Coisas da guerra.
Librellotto era muito cioso de seu posto de major, inclusive, vez por outra, exigia que lhe fizéssemos continência. Vivia às turras com o Comandante Nero Moura, alegando que era major e que tinha direito a um jipe. O coronel saía pela tangente, cometendo o pecado de lhe fazer promessas não cumpridas."

Sobre o envio de um capelão à Itália, diz o Brig. Moura no livro "Um Vôo na História":

"Esse o Eduardo (Gomes) mandou! O Exército criou a tal Capelânia das Forças Armadas e nos enviou um major, que me deu muita amolação. Mas ele também passou mal comigo..."

Librellotto ficou muito conhecido na cidade de Pisa por seu espírito religioso e por suas obras de caridade, ajudando os pobres da cidade com alimentos e roupas. Quando do final da guerra, a Missa de Ação de Graças pelo Armistício, realizada na cidade de Pisa, foi oficiada por ele.

Após a guerra, Monsenhor Librelotto deixou a FAB. De volta ao Brasil, foi secretário da Educação e Cultura do Governo de Santa Catarina, Juiz do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina e membro do Partido Democrata Cristão. Na cidade de Santa Maria, RS, uma rua no bairro de Urlândia leva seu nome em sua homenagem, assim como outra em Conservatória, no Rio de Janeiro.

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