por Joe Baugher - www.joebaugher.com - traduzido e transcrito sob autorização.

O primeiro P-47B de produção (41-05895) era na verdade um segundo protótipo especialmente construído e entregue a USAAF em 21 de dezembro de 1941, sendo imediatamente enviado para Wright Field para testes enquanto o XP-47B ficou com o fabricante. Os quatro primeiros P-47B de produção (41-05896 a 41-05899) foram entregues no meio de março de 1942, apenas oito meses após o primeiro vôo do XP-47B.

Numerosos problemas foram aparecendo ao longo dos testes. A aeronave de n° 41-05899 acidentou-se no campo de golfe de Salisbury, em Long Island, matando o piloto de testes da Republic, George Burrell. A perícia feita nos destroços mostrou que parte do cone de cauda havia rompido em vôo. Este acidente resultou em restrições ao vôo do P-47B enquanto as investigações sobre as causas dessa falha estrutural perdurassem. Em altitudes acima dos 30.000 pés, os ailerons tendiam a travar e congelar, o canopy não podia ser aberto e a força aplicada sobre os controles tendia a ter que ser excessiva. A cobertura de tela dos profundores frequentemente aparecia rompida após vôos a alta velocidade, já que a pressão aerodinâmica fazia com que estas inflassem e estourassem.

O problema dos ailerons que congelavam e dos profundores rompidos foi resolvido fazendo-se com que estas peças fossem revestidas em metal em todos os P-47B subsequentes. Algum tempo se passaria até que profundores e ailerons revestidos em metal pudessem ser incorporados à linha de produção e as entregas continuaram com o compromisso de que essas modificações seriam feitas posteriormente. Com a aplicação dessas modificações, as restrições ao vôo foram retiradas. Além disso, os ailerons foram redesenhados, recebendo uma borda arredondada, o que aliviou o excesso de carga nos controles.

O problema do canopy que travava foi resolvido substituindo o canopy original, que abria lateralmente, por outro que abria-se deslizando para trás. Acredita-se que esta modificação foi aplicada no P-47B número 41-05896 e subsequentes. Um sistema de descongelamento do párabrisas foi colocado a partir do P-47B número 41-05951. A partir do 41-05974, importantes modificações foram feitas na limitação do movimento das superfícies de controle e na incidência da deriva, bem como novos pneus para o trem de aterrisagem. Novas calhas de ejeção de cartuchos foram colocadas nas metralhadoras da aeronave 41-06016 e seguintes.

Esperava-se que fosse possível à RAF testar o Thunderbolt em combate no Oriente Médio, mas as dificuldades encontradas na produção fez com que o British Air Ministry fosse informado, em setembro de 1941, que provavelmente não seria uma boa idéia fazê-lo até que todos os problemas estivessem resolvidos.

Os primeiros P-47B foram entregues em meados de 1942 ao 56th FG. Este grupo foi escolhido por estar baseado na cidade de Nova York e, portanto, perto de Farmingdale de onde os engenheiros da Republic poderiam ser facilmente acionados para resolver os problemas conforme estes aparecessem. Os P-47B do 56th FG foram largamente utilizados para testes e treinamento operacional e muito poucos foram enviados para além-mar. O 56th FG encontrou dificuldades em entrosar-se com sua nova aeronave, sendo que 13 pilotos e 41 aeronaves foram perdidos em acidentes. Até o final de Junho, o 56th FG havia perdido ou danificado metade de suas aeronaves. Muitos acidentes foram resultado da inexperiência dos pilotos, mas um número significativo foi causado pela perda de controle durante mergulhos a altas velocidades. Depois que um leme foi literalmente arrancado durante o vôo de um P-47B, emitiu-se uma ordem limitando a velocidade dos vôos a 480 km/h, proibindo-se manobras violentas e determinando que o combustível deveria ser carregado no tanque traseiro da aeronave.

O último P-47B foi entregue em setembro de 1942, sendo que o último da série (41-06065) foi convertido durante a produção, em setembro de 1942, como XP-47E com cockpit pressurizado e canopy de abertura lateral. Entretanto, a ênfase dada às operaçòes à baixa altitude na Europa levou ao concelamento desta versão. A aeronave P-47B número 41-05938 foi usada para testar uma nova asa de maior área e fluxo laminar, recebendo a designação XP-47F, voando pela primeira vez em 17 de setembro de 1942. A versão também não entrou em produção.

O P-47B foi usado estritamente para testes e treinamento, nunca sendo utilizado em combate. A designação P-47B foi mudada para RP-47B em 1944, onde o "R" significava "Restrito", o que significava que a aeronave não poderia ser utilizada em combate.

A Força Aérea Brasileira recebeu um único P-47B, já redesignado RP-47B-RE, a aeronave de número 41-06037 (matrícula FAB 4103), que chegou a Natal em 16 de outubro de 1944 trazida em vôo dos Estados Unidos pelo 2° Ten. Av. Moacyr Domingues. De lá foi levada, pelo mesmo piloto, ao Campo dos Afonsos onde permaneceu até 15 de dezembro quando foi levada pelo 1° Ten. Av. José Eduardo Magalhães Motta para a Base Aérea de Cumbica, sendo entregue ao 1° Grupo Misto de Instrução, unidade incumbida da formação dos alunos matriculados na Escola Técnica de Aviação.

Quando da transferência da Escola de Especialistas da Aeronáutica para a cidade de Guaratinguetá, essa aeronave foi desmontada e para lá levada. Completamente desgastada, foi declarada imprestável em 30 de junho de 1964, descarregada no Ministério da Aeronáutica em 14 de setembro de 1967 e posteriormente vendida como sucata. Detalhe curioso é que, ao menos na época em que esteve no Campo dos Afonsos, a aeronave ostentava a inscrição "Teco-Teco" no lado direito da carenagem do motor, na altura do bordo de ataque da asa direita.

Blocos de Produção do P-47B
Subtipo Números de série Quantidade
Republic P-47B Thunderbolt 41-05895 a 41-06065 170
Total  170
Especificações
Motor Pratt & Whitney R-2880-21
Potência 2.000 hp
Hélice: Curtiss Electric C542S-A6
Comprimento:  
Envergadura:  
Altura:  
Superfície alar:  
Peso vazio: 4.240 kg
Peso com carga normal: 5.555 kg
Peso máximo na decolagem: 6.060 kg
Velocidade máxima a 8.250 m de altitude: 690 km/h
Tempo para alcançar 4.600 m 6,7 min

 

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